domingo, 15 de março de 2009

Microcontos - J. Novelino



-Ela beijou o sapo. Hoje é mãe de dez girinos.

-No campo de nudistas, o menino gritou: "o rei está vestido!"

-O patinho bonito cresceu e descobriu que é um cisne feio.

-Assim como as filhas de sua madrasta, a Gata Boralheira calça 34.

-Depois do beijo do príncipe, a Bela Adormecida começou a ter insônia.

Adorei, os microcontos tem sempre uma ponta de ironia, humor e verdade...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Tatê Calanquê Catacan Quixilá Calanquê

Na feira do livro em Agudos, na Livroarte de 2008, o Grupo da Oficina de Contação de Histórias apresentou a história do Tatê, da Bia Bedran, enquanto a coordenadora do curso Bruna Hammer contava a história, nós fizemos a encenação.










No final da história,fizemos uma dança circular, e a música foi: "O Tal do Abraço". Foi muito lindo, muito doce, e no final, a platéia foi convidada a dançar também !!!!


A bruxa Salomé - Audrey Wood

Durante a Livroarte m Agudos, fui contar uma história para os alunos do ensino fundamental e infantil presentes na feira.
A história escolhida foi A bruxa Salomé de Audrey Wood, as crianças adoraram a história, e se divertiram, pois essa história é muito interessante, é uma aventura.
Para ilustrar a história, utilizei lenços, que representavam os personagens, já os presentes que a mãe trazia vinham numa cesta e eram realmente o que cada criança pediram, ou melhor os recipientes do que eles pediram.
A Bruxa Salomé era o véu preto, a mãe das crianças o véu branco, e as crianças eram véus coloridos.
Adorei a recepção da diretora da Educação D. Cecília, e a atenção das crianças, elas relamente sabem ouvir uma boa história.




sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Lendas Orientais


O POTE VAZIO

Há muito tempo, na China, vivia um menino chamado Ping, que adorava flores. Tudo o que ele plantava florescia maravilhosamente. Flores, arbustos e até imensas árvores frutíferas desabrochavam como por encanto.
Todos os habitantes do reino também adoravam flores.
Eles plantavam flores por toda a parte e o ar do país inteiro era perfumado.
O imperador gostava muito de pássaros e outros animais, mas o que ele mais apreciava eram as flores.
Todos os dias ele cuidava de seu próprio jardim.Acontece que o imperador estava muito velho e precisava escolher um sucessor.Quem poderia herdar seu trono? Como fazer essa escolha?Já que gostava muito de flores, o imperador resolver deixar as flores escolherem.No dia seguinte, ele mandou anunciar que todas as crianças do reino deveriam comparecer ao palácio. Cada uma delas receberia do imperador uma semente especial. – Quem provar que fez o melhor possível dentro de um ano – ele declarou – será meu sucessor.A notícia provocou muita agitação. Crianças do país inteiro dirigiram-se ao palácio para pegar suas sementes de flores.Cada um dos pais queria que seu filho fosse escolhido para ser o imperador, e cada uma das crianças tinha a mesma esperança.Ping recebeu sua semente do imperador e ficou felicíssimo. Tinha certeza de que seria capaz de cultivar a flor mais bonita de todas.Ping encheu o vaso com terra de boa qualidade e plantou a semente com muito cuidado.Todos os dias ele regava o vaso. Mal podia esperar o broto surgir, crescer e depois dar uma linda flor.Os dias se passaram, mas nada crescia no vaso. Ping começou a ficar preocupado. Pôs terra nova e melhor num vaso maior. Depois transplantou a semente para aquela terra escuta e fértil. Esperou mais dois meses e nada aconteceu. Assim se passou o ano inteiro.Chegou a primavera e todas as crianças vestiram suas melhores roupas para irem cumprimentar o imperador. Então correram ao palácio com suas lindas flores, ansiosas por serem escolhidas.Ping estava com vergonha de seu vaso sem flor. Achou que as outras crianças zombariam dele por que pela primeira vez na vida não tinha conseguido cultivar uma flor.Seu amigo apareceu correndo, trazendo uma planta enorme:- Ping, disse ele, você vai mesmo se apresentar ao imperador levando um vaso sem flor? Por que não cultivou uma flor bem grande como a minha?- Eu já cultivei muitas flores melhores do que a sua, disse Ping.- Foi essa semente que não deu nada.O pai de Ping ouviu a conversa e disse:- Você fez o melhor que pôde, e o possível deve ser apresentado ao imperador.Ping dirigiu-se ao palácio levando o vaso sem flor.O imperador estava examinando as flores vagarosamente, uma por uma. Como eram bonitas! Mas o imperador estava muito sério e não dizia uma palavra.Finalmente chegou a vez de Ping. O menino estava envergonhado, esperando um castigo. O imperador perguntou:- Por que você trouxe um vaso sem flor?Ping começou a chorar e respondeu:- Eu plantei a semente que o senhor me deu e a reguei todos os dias, mas ela não brotou. Eu a coloquei num vaso maior com terra melhor, e mesmo assim ela não brotou. Eu cuidei dela o ano todo, mas não deu nada. Por isso hoje eu trouxe um pote vazio. Foi o melhor que eu pude fazer.Quando o imperador ouviu essas palavras, um sorriso foi se abrindo em seu rosto e ele abraçou Ping. Então ele declarou para todos ouvirem:- Encontrei! Encontrei alguém que merece ser imperador!- Não sei onde vocês conseguiram essas sementes, pois as que eu lhes dei estavam todas queimadas. Nenhuma delas poderia ter brotado. Admiro a coragem de Ping, que apareceu diante de mim trazendo a pura verdade. Vou recompensá-lo e torná-lo imperador deste país.
Texto extraído do livro: O pote vazio – Demi, Ed. Martins Fontes

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Lenda Mexicana



O comprador de sonhos

Era uma vez no México um índio, camponês sem terra, pastor sem ovelhas... o que fazia dele um peão.
Um peão é pobre no começo e mais pobre no final, quando a força para trabalhar o abandona...
As pessoas de sua aldeia tinham terras...mas de que serve uma terra onde nada cresce?
E para não morrer de fome, o índio, desceu a “sierra mexicana” em busca de trabalho como peão numa plantação de cacau.
Durante três anos ele cuidou das árvores e colheu seus frutos... mas não era feliz... tinha saudades de sua “sierra.”
Para enfrentar seu destino sonhava com o dia em que finalmente voltaria levando consigo uma mala enorme cheia de presentes...e todos gritariam: “ele voltou...ele voltou...” E todos estariam muito felizes. Ele tinha tanta vontade de ser feliz!
Ao final de três longos anos, ele decidiu que era hora de voltar. Recebeu seu salário. Não compreendia muito bem as contas que o capataz fazia... “_Por três anos de trabalho receberá... aluguel e comida a descontar...perda de uma machadinha a descontar... por sua negligencia, dez árvores produziram menos...a descontar...eis, então, seu ganho: três moedas de cobre. O próximo!”
O índio se afastou lentamente... em sua mão apenas três moedinhas de cobre. Era tudo!
À noitinha chegou à pequena cidade mais próxima. Era alegre, movimentada...as pessoas pareciam felizes. As lojas cheias de coisas maravilhosas...mas caras. Porém, ao passar por uma vitrine de uma loja de doces, ficou deslumbrado. Havia flores, de todas as cores, de açúcar impressionantemente lindas. Uma moeda de cobre...que custava cada uma. Comprou uma charmosa rosa vermelha para presentear Panchita a índia mais linda da aldeia. Agora, com apenas duas moedas comeria pouco, e pronto!
Pouco a pouco a cidade foi adormecendo...estava cansado e sentia muita fome, mas preferiu deixar para comer no dia seguinte antes de se colocar a caminho de casa.
Foi até a uma fonte pública e bebeu muita água para distrair o estômago... já satisfeito percebeu um homem quase sem forças com uma tigela na mão tentando pegar água. Parecia muito doente. Então, o índio pega a tigela e ajuda o homem a beber a água, como se fosse uma criança...
O homem estava tão fraco que era incapaz de segurar a própria tigela e o índio sabia bem do que é que ele sofria...
O índio, então correu até um vendedor de tortilhas e pediu uma porção bem farta e pagou com uma moeda de broze... ofereceu a tortilha ao homem que comeu lentamente apreciando cada mordida.
O homem, então agradeceu e ofereceu um presente, um pequeno saco:
__É para você...A felicidade, talvez...mas eu não sei.
Eram sementes redondas e amarelas, da cor do ouro. O índio aceitou e foi embora a procura de um lugar para dormir.
Já amanhecerá na porta de um albergue. De dentro vinha um delicioso cheiro de tortilhas. O índio entrou e pediu uma para matar sua fome antes de seguir viagem...
Enquanto esperava, um homem descia pelas escadas e disse:
__Chica, traga-me rápido a comida e eu lhe contarei um belo sonho...
__Sonhei que uma deusa de cabelos longos e negros com a noite...era minha esposa. Nós morávamos bem no meio de uma floresta de ouro... aquele que colhesse um galho de ouro na floresta estaria livre da fome. Neste lugar todos eram felizes e vinham à nossa floresta e colhiam braçadas de galhos de ouro e partilhavam uns com os outros toda essa riqueza e felicidade. E eu olhava toda aquela gente e me sentia ainda mais feliz... Não é belo o meu sonho?
O índio ficou impressionado e pensou: “este homem parece ter sorte e tem tudo o que quer, não precisa de um sonho para ser feliz. Se eu gastar minha última moeda com comida, amanhã ainda terei fome. Mas, se eu comprar esse sonho, serei feliz amanhã, e depois, e depois...”
Então, aproximou-se do homem e disse:
__Quero comprar o seu sonho.
O homem ficou assustado e começou a rir.
__O que? Você quer comprar o meu sonho? Mas para que ele poderá lhe servir?
__Ele me servirá para me fazer feliz. Aqui está o dinheiro.
O índio colocou sua última moeda sobre a mesa; o homem não podia acreditar.
__Uma moeda? É pouco, mas ainda é muito para pagar um sonho. Guarde seu dinheiro eu lhe dou o sonho.
__Não estou mendigando, Quero comprar o seu sonho.
Vendo que o índio falava com seriedade e convicção, vendeu-lhe o sonho por uma moeda de cobre.
O índio saiu do albergue feliz por ter comprado um bonito sonho e já pegava o caminho quando Chica veio correndo ao seu encontro.
__Você vai para “Sierra”? Eu queria que passasse por Achulco, a aldeia onde mora minha mãe.
__E o que você quer que eu diga a ela?
__Conte a ela seu sonho. Minha mãe é sozinha e triste. Ela ficará feliz com seu bonito sonho.
__Mas, eu não sei contar história...
__Mas é o seu sonho! Quem poderia conta-lo melhor?
Ela então, entregou-lhe uma sacola com tortilhas, pão, tomates e pimenta.
__Tome! Este é meu presente para sua viagem.
Ele não pode negar o pedido e logo, à tarde chegou ao vilarejo e procurou pela mulher. Curiosos lhe seguiram até a porta da mãe de Chica, queriam saber das novidades. Logo a sala da casa estava cheia, e a mãe de Chica pediu silêncio.
__ Este rapaz teve um sonho magnífico e minha filha o mandou aqui para que me contasse. Cada palavra pronunciada é a palavra da verdade. Chica é testemunha.
Então, ele contou seu sonho e era realmente lindo e encantou a todos do vilarejo.
Pela manhã, estava de partida quando um homem veio procura-lo.
__Minha mulher e filhos moram num vilarejo que fica a um dia de caminhada daqui. Se você for passar por lá, poderia contar-lhes seu sonho?
O índio consentiu e o homem decidiu segui-lo par ouvir mais uma vez o seu sonho. E a notícia corria de boca em boca... e por varias vezes se desviou de sua rota par contar seu sonho por encomenda de alguém. Mas fazer o que? Só um louco se recusaria a dar alegria aos outros.
Até que um dia, finalmente chegou em seu vilarejo. Logo na entrada, viu um bela jovem de cabelos longos e negros com a noite, era Panchita. Seu coração palpitou forte e disse:
__Panchita, trouxe-lhe um presente. E lhe entregou a delicada rosa de açúcar vermelha.
Todos estavam felizes com sua volta. E à noite, em torno da fogueira, ele contou seu sonho a todos e mostrou as sementes de ouro que havia ganhado e uma senhora idosa aproximou-se e examinou-as e disse:
__É um grão d’ixium, o milho. Mas esta felicidade não é para nós...jamais brotará em nossas terras áridas.
__Mas vamos plantá-las... junto com meu sonho.
E numa bela manhã de outono, o índio correu até os campos e pode ver seu lindo sonho...lá havia uma bela floresta: o milho amadurecera e, de tão bonito, de tão maduro, parecia de ouro. E no meio daquela floresta dourada, Panchita dançava com os cabelos soltos ao vento, cabelos longos e negros como a noite...e, de tão bela, parecia uma deusa!
“lê revê a cheté” (Schnitzer,1977, pp. 65-84) Tradição Mexicana
Tradução e reconto Gislayne Avelar Matos
O contador de histórias é isso... um comprador de sonhos!

tenham um ótimo final de semana
beijooooooooooooooooooooooooo

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dicas para contadores de histórias - créditos Blog do Gandavo - Laerte Vargas

1- Evite tomar gelado um dia antes e no dia da sessão,

2- Não tome suco de laranja no dia, pois provoca muco,

3- Leve uma maçã pequena para a sessão e a saboreie minutos antes sem lavar a boca depois,

4- Chegue com antecedência no espaço e caminhe por ele explorando todas as suas possibilidades e dimensões,

5- Se perceber que o ar condicionado está muito intenso, inspire suavemente pelo nariz ( para aquecer o ar ) e expire pela boca,

6- Faça exercícios para soltar o pescoço e ombros;

7- Aqueça sua voz com mantras. Se estiver acompanhado(a), peça para o outro avaliar sua projeção de voz indo até o fundo do espaço, nem baixa, nem alta demais: convidativa.
8- Abra bem a boca fazendo a,e,i,o,u e u,o,i,e,a.

9- Verifique se atrás de você existem painéis muito coloridos que possam dispersar ou “roubar” a atenção. Circulação de pessoas atrás de você, contador, nem pensar !

10- Água na temperatura ambiente sempre perto de você: um dos pré-requisitos para uma voz colorida é uma boa molhada;

11- Use um banco desconfortável: as poltronas muito “confortáveis” acabarão deixando você dobrado e com o diafragma pressionado,

12- Use roupas com cores discretas: quem tem que marcar presença é a história!

13- Quando o público entrar, já esteja no palco esperando seus convidados: assim é que se comporta um bom anfitrião.

14- Convide os ouvintes a desligarem seus celulares e solicite que, caso haja necessidade de saírem, o façam entre uma história e outra.

15- Não faça sessões muito longas: quarenta e cinco minutos de sessão envolvendo, no máximo, seis histórias é de bom tamanho.

16- Lembre-se sempre que uma sessão deve envolver contos com características bem diferentes um do outro; salvo se for uma sessão temática. Mesmo assim, procure entremear histórias viscerais e densas com outras leves e divertidas,

17- Eu, particularmente, opto por programar os contos mais longos para a primeira metade da sessão,

18- Contos de encantamento precedidos por lendas podem remeter demais à introspecção. Procure pontuar um e outro com facécias, contos de exemplo e de animais,

19- Olhe a platéia convidando. Se identificar aqui e ali um ouvinte mais desatento, conte um tempo para ele; mas com o cuidado de não torná-lo o que, às vezes, os irrequietos querem: ser o alvo das atenções.

20- Perguntas devem ser respondidas no limite exato. Não deixe que as intervenções comprometam sua sessão.

22- Não infantilize seus ouvintes impregnando a contação de diminutivos;
Seja feliz: este momento é uma celebração. Não sofra.

Visitem os blogs do Laerte Vargas, link aao lado

Beijos, bom final de semana a todos!!!